Entendendo a Demonstração do Valor Agregado ou Adicionado

Sempre que o assunto se apresenta muito complexo, nada mais indicado que a análise de casos práticos para explicá-lo. Visando aclarar o assunto, bem como torná-lo de acessível a todos os níveis, disponibilizamos o resumo abaixo, contendo a definição dos conceitos e sua aplicação no dia-a-dia das organizações, além dos benefícios da demonstração do Valor Agregado ou Adicionado.

O que é o Valor Agregado ou Adicionado?

É a demonstração contábil, de publicação ainda não obrigatória no Brasil, que fornece uma visão muito completa àcerca da capacidade da empresa gerar riqueza ( no sentido de agregar valor ) e demonstra como essa riqueza é repartida entre os setores produtivos. No texto em análise sobre a reforma da Lei das Sociedades por Ações, a comissão consultiva da CVM propôs a inclusão da Demonstração do Valor Agregado como obrigatória.

Cumpre lembrar que algumas organizações já incluíram esse demonstrativo como parte integrante das suas informações ao mercado, existindo, ainda, uma gama de outras empresas que já a adotam internamente, como um instrumento gerencial.

Principais diferenças entre a Demonstração de Valor Agregado e Demonstração de Resultado.

A Demonstração de Resultado destina-se a uma visão particular dos proprietários e acionistas da empresa, ao passo que a Demonstração do Valor Agregado dispõe de uma visão mais geral, atribuindo relevância a todos os fatores produtivos: os trabalhos, os recursos de terceiros (créditos) e o governo.

Entendendo uma demonstração

Empresa XYZ
Demonstração do Valor Agregado
Exercício encerrado em 31/12/1998
(em milhares de reais)

Geração do Valor Agregado (1)

Receitas de Vendas e Não-Operacionais (-)
Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos
Serviço de Terceiros
Materiais, E.Elétrica, Comunicações, Publicidade, etc.
R$

700.000
(470.000)
(28.000)
(8.000)
%

100,00
(67,14)
(4,00)
(1,14)
Valor agregado bruto (2)
Depreciações e amortizações
194.000
(8.000)
27,71
(1,14)
Valor agregado líquido (3)
Receita financeira
186.000
17.400
26,57
2,49
Valor agregado a distribuir (4)
Remuneração do trabalho
Governo (impostos e taxas)
Aluguéis e juros
Dividendos e lucros retidos
203.400
63.000
97.000
41.000
2.400
29,06
30,97
47,69
20,16
1,18

203.400
100,00

1) Geração do valor agregado bruto e líquido

Receitas de vendas e não operacionais: representa o valor que o mercado pagou ou pagará pelas mercadorias e/ou serviços vendidos;

Custo das mercadorias e serviços vendidos: representa o custo incorrido com fornecedores de matérias primas;

Serviços de terceiros: representa o custo incorrido com prestadores de serviços necessários ao desempenho da atividade econômica;

Materiais, energia elétrica, comunicações, publicidade, etc: representa o custo incorrido com fornecedores de materiais e serviços necessários ao desempenho da atividade econômica.

2) Valor agregado bruto

Depreciação e amortizações: para efeitos de cálculo do valor agregado líquido, subtrai-se o valor de depreciações e amortizações do ativo permanente (AP). Equivale dizer que o AP gerou R$ 194.000 milhões de valor agregado bruto, valor este diminuído em R$ 8.000 milhões pela depreciação e amortização. Há que se salientar a discussão quanto ao tratamento dado ao custo de depreciação e amortização para o cálculo do valor agregado líquido, já que é entendimento das escolas européias que esse valor deve ser abatido na linha de lucros retidos.

3) Valor agregado líquido

Rceitas financeiras: Entendem-se as receitas financeiras como uma transferência de riqueza de uma pessoa física ou jurídica para outra através de aplicações financeiras e dos financiamentos concedidos a clientes, desde que com recursos próprios, não constituindo-se geração de riqueza. Dessa forma, a empresa gerou R$ 186.000 milhões, mas teve um acréscimo de R$ 17.400 milhões ao valor agregado.

4) Valor agregado a distribuir

Remuneração do trabalho: refere-se a remuneração de empregados e administradores;

Governo (impostos e taxas): refere-se aos impostos, taxas e tributos da esfera Federal, Estadual e Municipal recolhido pela empresa. O valor do INSS é considerado apenas a parte da empresa;

Aluguéis e juros: remuneração a capital de terceiros na forma de aluguéis e juros;

Dividendos e lucros retidos: representa o lucro líquido do exercício.


José Santana é Contador com Pós-graduação em
Controladoria de Gestão e Auditoria Interna.
Atua como Consultor e Auditor de Empresas.
É membro do AUDIBRA/PR - Instituto dos Auditores Internos do Brasil.


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